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Os medicamentos para hiperplasia prostática benigna (HPB) em geral são utilizados por muitos anos quando há indicação e acompanhamento médico. Entretanto, cada classe apresenta efeitos diferentes, e manter o mesmo tratamento indefinidamente sem reavaliação não é o ideal. O importante é verificar periodicamente se o medicamento continua necessário, eficaz e bem tolerado e como sua bexiga está lidando com o processo de obstrução urinária.
Essa é uma dúvida que escuto com frequência no consultório. O paciente começou a tomar um medicamento para melhorar o jato urinário ou diminuir os sintomas da próstata e, alguns anos depois, percebe que continua usando a mesma medicação todos os dias (por vezes até 3 remédios!).
Nesse momento, é natural perguntar: “Vou precisar tomar isso pelo resto da vida? Esse medicamento pode me trazer algum problema no futuro?”
A resposta depende principalmente de qual medicamento está sendo utilizado, por que ele foi indicado e como a doença evoluiu desde o início do tratamento.
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma doença que acompanha o homem durante a sua vida toda.
Quando os sintomas incomodam, mas não existe indicação de um procedimento, o tratamento medicamentoso pode ser uma boa estratégia.
Entre os medicamentos mais utilizados estão duas classes importantes:
Eles não fazem exercem a mesma função.
No homem, a urina sai da bexiga e obrigatoriamente passa por dentro da próstata
Os alfa-bloqueadores atuam principalmente reduzindo a força da musculatura da próstata e da região do colo da bexiga, facilitando a passagem da urina por dentro dela.
Finasterida e dutasterida atuam sobre o metabolismo hormonal das células prostáticas que influencia no crescimento da próstata. Seu uso deve reduzir parte do volume prostático ao longo do tempo.
Por isso, quando falamos em “remédio para próstata”, precisamos primeiro saber de qual medicamento estamos falando.
Podem, quando continuam trazendo benefício e são bem tolerados.
Medicamentos dessa classe costumam agir relativamente rápido sobre os sintomas. O paciente pode perceber melhora do jato urinário e maior facilidade para urinar.
Mas existe uma característica importante: os alfa-bloqueadores não diminuem significativamente o tamanho da próstata e não reduzem, o risco de retenção urinária ou necessidade futura de cirurgia.
Ou seja, melhorar o sintoma não significa necessariamente modificar a evolução da próstata. Ela continua crescendo normalmente e sua bexiga continua lutando contra a obstrução – isso pode ter um impacto importante na quantidade de vezes que você levanta a noite para urinar e na urgência que tem que chegar ao banheiro.
Por isso, mesmo quando o paciente está urinando melhor, precisamos continuar acompanhando o quadro.
Os efeitos agudos variam entre os medicamentos e entre os pacientes.
Entre os mais conhecidos estão:
A hipotensão merece atenção principalmente em pacientes mais idosos ou que utilizam outros medicamentos que também reduzem a pressão arterial.
A diretriz da European Association of Urology (EAU) cita um estudo com homens acima de 66 anos no qual o uso de alfa-bloqueadores esteve associado a um pequeno aumento do risco de quedas e fraturas, provavelmente relacionado à hipotensão. Devemos usar a medicação com cautela principalmente nos homens mais idosos e frágeis – este sintoma associado a acordar a noite para urinar pode aumentar ainda mais o risco de quedas.
Também existem diferenças entre os medicamentos da própria classe.
Isso não significa que todo homem que utiliza um alfa-bloqueador terá esses problemas.
Significa que, conforme o paciente envelhece ou passa a utilizar outros medicamentos, um tratamento que funcionava bem há alguns anos pode precisar ser reavaliado.
Essa preocupação já foi levantada principalmente em relação ao uso prolongado de alguns medicamentos para HPB. Os estudos mais robustos e recentes atestam a segurança desta classe de remédos e não há evidência de qualidade de demonstre que os alfa-bloqueadores provoquem demência.
Portanto, não considero adequado interromper um tratamento eficaz apenas por medo de desenvolver demência.
Se houver preocupação com memória ou alterações cognitivas, elas devem ser avaliadas individualmente, procurando suas possíveis causas.
Finasterida e dutasterida são medicamentos diferentes dos alfa-bloqueadores.
São chamados inibidores da 5-alfa-redutase (5-ARIs) e costumam ser utilizados principalmente em pacientes com próstata aumentada e maior risco de progressão da doença.
O efeito não é imediato. Ao longo de meses, esses medicamentos podem reduzir o volume prostático e melhorar os sintomas.
Diferentemente dos alfa-bloqueadores, os 5-ARIs também podem reduzir o risco de retenção urinária e a necessidade futura de cirurgia em pacientes adequadamente selecionados.
Por isso, são medicamentos pensados justamente para tratamentos prolongados.
Isso não significa que sejam livres de efeitos adversos.
Podem.
Os principais efeitos adversos relacionados aos inibidores da 5-alfa-redutase envolvem a função sexual.
Podem ocorrer:
Nem todos os pacientes apresentam esses efeitos e sua ocorrência deve ser analisada individualmente.
Existe ainda uma questão prática importante: alguns homens não relacionam uma mudança gradual na vida sexual ao medicamento que utilizam há anos.
Por isso, durante o acompanhamento, considero importante perguntar ativamente sobre libido, ereção e ejaculação, em vez de avaliar apenas se o paciente está urinando melhor.
Aqui precisamos ter cuidado para não transformar associação observada em estudos em uma relação comprovada de causa e efeito.
A diretriz europeia de 2026 menciona estudos populacionais que encontraram maior incidência de diabetes tipo 2 entre usuários de inibidores da 5-alfa-redutase quando comparados a homens tratados com tansulosina.
Também há estudos que observaram associação com depressão. Entretanto, uma revisão sistemática citada pela própria diretriz não encontrou associação entre os 5-ARIs e depressão ou risco de suicídio. Portanto, os resultados da literatura não são completamente uniformes.
Na prática, isso significa que não podemos dizer que finasterida ou dutasterida causam diabetes ou depressão.
Mas esses dados reforçam a importância de acompanhamento, especialmente quando surgem sintomas ou existem outros fatores de risco.
Alterações importantes de humor durante o tratamento devem ser comunicadas ao médico.
Não espere os sintomas aparecerem. Agende sua consulta e conte com o cuidado próximo e atualizado do Dr. Ricardo Haidar.
Sim, pode. Aqui vale pensarmos que a próstata continua crescendo, independentemente do uso dos remédios. Muitas vezes este crescimento é lento e não trará impacto.
Esse ponto é particularmente importante com os alfa-bloqueadores.
O paciente pode estar urinando melhor porque o medicamento facilita a passagem da urina, mas a próstata pode continuar aumentando ao longo do tempo. Esta obstrução crônica atrapalha o funcionamento da bexiga e pode sim causar incontinência urinária se não for tratada corretamente.
Por isso, a pergunta não deve ser apenas:
“O remédio ainda está funcionando?”
Precisamos também avaliar se existe progressão da doença, como está o esvaziamento da bexiga e se surgiram complicações.
Dependendo do caso, o acompanhamento pode envolver avaliação dos sintomas, exame físico, PSA, ultrassonografia, medida do resíduo pós-miccional e avaliação do fluxo urinário.
A EAU recomenda acompanhamento dos pacientes em tratamento medicamentoso justamente para avaliar resposta, efeitos adversos e evolução dos sintomas.
Depois de alguns anos, eu gosto de voltar à pergunta que motivou o início do tratamento:
O que estamos conseguindo com esse medicamento hoje?
Precisamos analisar:
Se a resposta for positiva e o tratamento estiver funcionando bem, usar medicamento por muitos anos não é necessariamente um problema. É uma das soluções.
O que não considero adequado é manter a prescrição automaticamente, sem revisar se ela ainda representa a melhor estratégia para aquele paciente.
Quando é hora de discutir outro tipo de tratamento?
O fato de usar um medicamento há muito tempo, sozinho, não é indicação de cirurgia.
Podemos começar a discutir alternativas quando os sintomas continuam interferindo na qualidade de vida do homem apesar do tratamento (continua acordando para urinar e apresentando urgência para ir ao banheiro), quando surgem efeitos adversos difíceis de tolerar ou quando aparecem complicações relacionadas à obstrução.
Também é possível que as prioridades do paciente mudem.
Um homem que aceitava tomar medicamentos diariamente aos 55 anos pode, anos depois, querer entender se existe uma alternativa. Outro pode estar muito bem controlado e preferir continuar com o tratamento clínico.
É justamente por isso que a decisão precisa ser individual.
Quando existe indicação de um procedimento, também precisamos discutir o que realmente pode mudar depois do tratamento, incluindo sintomas urinários, medicamentos, recuperação e função sexual.
Medicamentos para HPB são importantes e, quando bem indicados, podem controlar os sintomas por muitos anos. Algumas classes também conseguem reduzir o risco de progressão da doença.
Portanto, o problema não é simplesmente tomar um medicamento durante muito tempo.
O mais importante é não transformar um tratamento iniciado anos atrás em uma prescrição automática para o resto da vida.
Na prática, precisamos avaliar periodicamente três coisas:
o medicamento continua funcionando, continua sendo necessário e continua sendo bem tolerado?
Essas respostas ajudam a decidir se devemos manter o tratamento, modificá-lo ou discutir outras possibilidades.
O Dr. Ricardo Haidar atua no diagnóstico e tratamento das doenças da próstata, incluindo tratamentos medicamentosos, minimamente invasivos e cirúrgicos para hiperplasia prostática benigna.
Durante o acompanhamento, a avaliação não se limita ao tamanho da próstata. Sintomas, funcionamento da bexiga, resposta aos medicamentos, efeitos adversos e impacto sobre a qualidade de vida ajudam a determinar se o tratamento atual ainda é adequado.
Pacientes que utilizam medicamentos para HPB há vários anos podem aproveitar a consulta para revisar a necessidade do tratamento e discutir as alternativas disponíveis quando houver indicação.
Não por conta própria. A melhora pode justamente estar relacionada ao medicamento. A suspensão deve considerar a classe utilizada, os sintomas e as características da próstata.
Finasterida e dutasterida podem reduzir significativamente os níveis de PSA. Por isso, o médico precisa saber que o paciente utiliza esses medicamentos para interpretar corretamente o exame. A EAU recomenda estabelecer um novo valor basal de PSA durante o acompanhamento com 5-ARIs.
Alguns alfa-bloqueadores estão associados à síndrome da íris flácida intraoperatória, especialmente a tamsulosina. Quem utiliza ou já utilizou esse tipo de medicamento deve informar o oftalmologista antes de uma cirurgia de catarata.
Sim. Dependendo do problema, o urologista pode avaliar ajuste da estratégia ou outra classe de medicamento. A troca deve ser individualizada e não realizada por conta própria.
A combinação de alfa-bloqueador com inibidor da 5-alfa-redutase pode ser indicada para determinados pacientes e é mais eficaz para alguns desfechos, mas também apresenta maior frequência de efeitos adversos do que a monoterapia.
Fontes:
EAU Guidelines 2026 – tratamento dos sintomas urinários masculinos
EAU Guidelines 2026 – acompanhamento do tratamento medicamentoso
Não espere os sintomas aparecerem. Agende sua consulta e conte com o cuidado próximo e atualizado do Dr. Ricardo Haidar.
Médico - CRM-SP 156529 -
Especialidade: Cirurgia Geral e Urologia RQE: 86408 - RQE: 86409
Graduado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP e especializado em Cirurgia Geral e Urologia pela USP, o Dr. Ricardo Haidar é médico urologista com experiência nacional e internacional. Integra o corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital Israelita Albert Einstein, além de ter atuado no Hospital das Clínicas da FMUSP. Reconhecido pelo atendimento humanizado, alia tecnologia e atualização constante para cuidar da saúde urológica de homens e mulheres em todas as fases da vida.
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