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Escore de Gleason/ISUP: o que é e como interpretar no câncer de próstata

Escore de Gleason/ISUP: o que é e como interpretar no câncer de próstata
Imagem meramente ilustrativa - Banco de imagens: Freepik

O escore de Gleason é um sistema utilizado para avaliar o grau de agressividade do câncer de próstata. Ele é definido a partir da análise microscópica do tecido obtido na biópsia prostática e ajuda a identificar o comportamento do tumor. Quanto maior a pontuação do Gleason, maior tende a ser a agressividade e o risco de progressão da doença.

O que é o escore de Gleason?

O escore de Gleason é um método de classificação histológica (microscópico) utilizado para avaliar a agressividade do câncer de próstata. Ele se baseia na aparência das células tumorais observadas após a realização de uma biópsia prostática.

Esse sistema foi desenvolvido pelo patologista norte-americano Dr. Donald Gleason na década de 1960 e continua sendo um dos principais critérios utilizados na avaliação do câncer prostático.

Durante a análise do tecido, o patologista observa como as células cancerígenas se organizam e se diferenciam em relação às células prostáticas normais. Quanto mais desorganizadas e menos diferenciadas forem as células, maior tende a ser a agressividade do tumor.

Resumo

  • O escore de Gleason avalia a agressividade do câncer de próstata.
  • A classificação é feita através da análise microscópica do tecido da biópsia da próstata.
  • O resultado geralmente varia de 6 a 10 na prática clínica atual.
  • Pontuações mais altas indicam tumores mais agressivos.
  • O Gleason é utilizado junto com PSA, exames de imagem e estadiamento do tumor para definir o tratamento.
  • A interpretação atual também utiliza os grupos prognósticos da ISUP (Sociedade Internacional de Patologia Urológica).

Como o escore de Gleason é calculado?

O câncer de próstata frequentemente apresenta mais de um padrão de crescimento celular dentro do mesmo tumor. Por isso, o patologista identifica os dois padrões predominantes na amostra da biópsia.

Cada padrão recebe uma pontuação que varia de 1 a 5, de acordo com o grau de diferenciação das células.

Esses dois valores são somados para gerar o escore final.

Exemplos comuns:

  • Gleason 3 + 3 = 6
  • Gleason 3 + 4 = 7
  • Gleason 4 + 3 = 7
  • Gleason 4 + 4 = 8

Na prática clínica atual, tumores com pontuação inferior a 6 raramente são diagnosticados.

Classificação do câncer de próstata segundo o escore de Gleason

Escore de GleasonGrupo de Grau (ISUP)Características
6Grupo 1Menos agressivo • Crescimento lento • Baixo risco
3 + 4 = 7Grupo 2Levemente agressivo • Crescimento lento • Risco intermediário
4 + 3 = 7Grupo 3Moderadamente agressivo • Crescimento mais rápido • Risco intermediário a alto
8Grupo 4Tumor agressivo • Maior risco de progressão
9 – 10Grupo 5Altamente agressivo • Alto risco de disseminação

De forma geral, quanto maior o escore de Gleason e o grupo prognóstico ISUP, maior tende a ser a agressividade do câncer de próstata.

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Diferença entre Gleason 3+4 e 4+3

Embora ambos tenham pontuação final 7, esses tumores podem apresentar comportamentos diferentes.

Gleason 3 + 4

  • predominância de células menos agressivas
  • risco intermediário
  • melhor prognóstico comparado ao 4+3

Gleason 4 + 3

  • maior predominância de células agressivas
  • maior risco de progressão da doença
  • geralmente requer abordagem terapêutica mais ativa

 

Essa distinção é importante para definir a estratégia de tratamento.

Por que o escore de Gleason é importante?

O escore de Gleason é um dos fatores mais importantes na avaliação do câncer de próstata, pois ajuda a determinar:

  • agressividade do tumor
  • risco de crescimento da doença
  • probabilidade de disseminação para outros órgãos
  • escolha do tratamento mais adequado.

 

A decisão terapêutica geralmente considera um conjunto de fatores, incluindo:

  • escore de Gleason
  • nível do PSA (antígeno prostático específico)
  • estadiamento do tumor
  • idade do paciente
  • condições clínicas gerais.

 

Como o escore de Gleason influencia o tratamento?

Dependendo do resultado do Gleason, diferentes abordagens terapêuticas podem ser consideradas.

Vigilância ativa

Indicada em alguns casos de tumores de baixo risco, especialmente Gleason 6 de pequeno volume. Consiste em acompanhamento periódico com exames, sem tratamento imediato.

Cirurgia para câncer de próstata

A prostatectomia radical é um procedimento cirúrgico que remove completamente a próstata. Há um bom tempo utilizamos a cirurgia robótica da próstata, técnica minimamente invasiva que permite maior precisão na remoção do tumor.

Radioterapia

Utiliza radiação para destruir células cancerígenas da próstata. Pode ser utilizada como tratamento principal ou complementar à cirurgia.

Terapia hormonal

Também chamada de bloqueio hormonal, reduz a ação da testosterona, hormônio que pode estimular o crescimento do câncer de próstata.

O escore de Gleason pode mudar após a cirurgia?

Sim. Em alguns casos, o resultado final pode ser diferente após a prostatectomia radical, pois a análise completa da próstata removida permite avaliar todo o tecido tumoral.

Por isso, o acompanhamento médico após o tratamento é fundamental.

Conclusão

O escore de Gleason é um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a agressividade do câncer de próstata. A classificação é baseada na análise microscópica do tecido obtido na biópsia prostática e ajuda a prever o comportamento do tumor.

A interpretação do Gleason deve sempre ser realizada em conjunto com outros fatores clínicos, como PSA, exames de imagem e estadiamento da doença. A avaliação individual feita por um urologista especializado em doenças da próstata é essencial para definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.

Perguntas Frequentes

Ele ajuda a determinar o grau de agressividade do tumor, mas não é o único fator utilizado na avaliação do câncer de próstata.

Em geral, Gleason 6 é considerado um tumor de baixo risco, com crescimento mais lento.

Depende da combinação. Tumores 3+4 tendem a ser menos agressivos, enquanto 4+3 apresentam maior risco de progressão.

Não necessariamente. Um Gleason elevado indica maior agressividade do tumor, mas a disseminação depende do estágio da doença.

Seu bem-estar começa com uma escolha!

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Foto de Dr. Ricardo Haidar

Dr. Ricardo Haidar

Médico - CRM-SP 156529 -
Especialidade: Cirurgia Geral e Urologia RQE: 86408 - RQE: 86409

Graduado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP e especializado em Cirurgia Geral e Urologia pela USP, o Dr. Ricardo Haidar é médico urologista com experiência nacional e internacional. Integra o corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital Israelita Albert Einstein, além de ter atuado no Hospital das Clínicas da FMUSP. Reconhecido pelo atendimento humanizado, alia tecnologia e atualização constante para cuidar da saúde urológica de homens e mulheres em todas as fases da vida.

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